Primeiramente,
podemos começar com um questionamento: O que acontece quando um diagnóstico na
Atenção Básica tem necessidade de exames laboratoriais? Bem, claro que isso foi
algo premeditado pela organização do SUS. O problema era: Como dispor da infinidade
de exames existentes para as mais variadas patologias e distribuí-los em rede
nacional com o menor custo possível? Para falarmos sobre isto, temos que saber
que os Exames Laboratoriais foram dividos em 4 grupos: A, B, C e D e os
Laboratórios em I, II, III ou Misto. Cada tipo de exame, atendia à necessidade de
uma Atenção do SUS (Básica, de Média Complexidade e de Alta Complexidade) e
cada tipo de laboratório buscaria atender a uma certa demanda populacional.
Vamos esclarecer mais esse fato com dois casos comuns que se iniciam nas
Unidades Básicas de Saúde:
Ludmilla,
24 anos, chegou para se consultar com o Dr. Assis em uma quarta feira de manhã.
Apresentava-se bastante desidratada devido a uma diarréia incessante que durava
já três semanas, piorando recentemente. Com a piora da diarréia, apareceram ínchaços
no pescoço, febre alta e uma série de feridas e lesões na boca. Dr. Assis
questionou Ludmilla a respeito do número de parceiros sexuais e se
corriqueiramente usava camisinha nessas empreitadas. Ao receber uma resposta numerosa
seguida de uma negativa, Dr. Assis sugeriu que Ludmilla fizesse uma sorotipagem
para HIV( ELISA e Western-Blot). A sorotipagem para HIV, é um exame do grupo A,
feito em um laboratório de tipo I na própria unidade de Saúde. A sorotipagem é
um exame de tipo A porque se refere a atenção básica e ao controle que o médico
tem do paciente nessa atenção. Uma estatística feita desses exames, mostra
dados importantes a respeito da Saúde Pública. O Laboratório tipo I é um
laboratório que trabalha mais com recursos humanos e com baixa tecnologia, faz
exames mais simples, atende a uma população de 25.000 habitantes, comumente se
encontra na assistência Básica. Nos locais longínquos, onde não há
laboratórios, os postos de coletas de exames são obrigatórios, e o material
colhido deve ser mandado a um laboratório do Tipo I para preparação e em
seguida enviado aos demais laboratórios (II, III), dependendo do grupo do exame
realizado. Após a constatação de que Ludmilla era Soropositivo para HIV, Dr.
Assis a diagnosticou já em estágio de AIDS e a encaminhou para o Hospital de
doenças infecciosas mais próximo. Lá Ludmilla foi tratada e passou a ser
acompanhanda por meio da contagem de Linfócitos CD4/CD8 e contagem da carga
viral , exames laboratóriais do grupo D, referentes a atenção de Alta
complexidade. Tais exames são feitos em Laboratorios do tipo III ou mistos, os
laboratórios do tipo III, são aqueles que atendem a exames da atenção de
altacomplexidade, abrangem uma rede regional/estadual, favorecendo no mínimo 50.000
habitantes. Já os laboratórios mistos são aqueles que fazem a atividade de mais
de um tipo de laboratório. Ludmilla hoje convive com sua carga viral baixa
graças ao coquetel anti-AIDS.
João
Paulo, 19 anos, foi à UBS fazer exames rotineiros, e levantou na anamnese que
havia aumentado consideravelmente o numero de vezes que necessitava urinar e
consequentemente a sede excessiva, mas em sua cabeça João Paulo não sabia qual
explicava qual. Além disso, constatou a perda de peso sem motivo aparente. Dr. Assis
passou os exames de rotina para João Paulo e pediu para que fizesse o teste de
Glicemia na prórpia UBS e voltasse com o resultado. Após a realização do Exame
pertencente ao Grupo A em um laboratório tipo I, o médico constatou a
quantidade ligeiramente elevada de glicose no sangue de João Paulo e recomendou
a ele um teste de Hemoglobina Glicada. Apesar de esse segundo teste ter
material colhido e preparado em um Laboratório tipo I, ele foi encaminhado e realizado
em um Laboratório tipo II, que atende a médiacomplexidade e abrange uma
população de 25.000 a 50.000 habitantes, esses laboratórios são mais
automatizados e visam exames que ocorrem com menor frequência, normalmente,
visando a confirmação de diagnósticos. O teste de Hemoglobina Glicada é um
exame do Grupo B, que representa um segundo nível de apoio diagnóstico e ocorre
com menos frequência do que o grupo A. Após a confirmação da Glicose elevada
nos últimos meses, Dr. Assis passou para João Paulo um exame de Anticorpos
Anti-insulina, afim de descobrir qual tipo de Diabetes ele possuia. O exame,
novamente, colhido em um laboratório tipo I, preparado e encaminhando a um Laboratório
tipo III, esse possui abrangência regional/estadual e atende a uma população de
mais de 50.000 habitantes, eles possuem um maior e mais custoso aparato
tecnológico e atendem a atenção de altacomplexidade. O teste de anticorpos Anti-insulina é um
exame do Grupo C, exames que visam uma investigação diagnóstica detalhada ou
acompanhamento clínico do paciente. João Paulo foi diagnosticado com diabetes
tipo I que hoje encontra-se controlada graças administração de doses de
insulina.
Com
essa estruturação, o SUS buscou atender as mais variadas necessidades do
brasileiro, mas ficamos com o questionamento: Porque, mesmo com toda a
aparelhagem dos laboratórios e o atendimento nos três níveis de complexidade do
sistema de saúde, o brasileiro ainda procura os Planos de saúde ou paga do
próprio bolso os exames laboratoriais?
Referências:
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